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| Esse sou eu em outubro de 2010. |
Minha ideia a princípio era apenas fazer duas postagens no
Instagram com a diferença de 1 ano entre elas mostrando um antes e um depois,
coisa física. Iria mostrar o que o empenho diário causou num corpo à beira dos
seus 30 anos contrapondo ao corpo mirrado de 20 anos: “olha como fiquei
fortinho”.
Uma diferença de 10 anos é considerável e, nossa, 30 anos. Hoje
tenho 29 e dia desses eu iria completar 19 anos, estava reunido com amigos para
comemorar a segunda vez que ingressei na universidade pública – dessa vez era
artes visuais, antes foi geologia – e tomamos cachaça misturada a leite
condensado enquanto assistimos filme pornô na tv da sala, jogamos biriba e
quando a bebida bateu fomos ao meio da rua jogar futebol e soltar voadoras uns
nos outros.
Havia liberdade entre a maioridade e a casa dos 20, 2 anos
que nos permitiram ir tocar violão na praia e cantar, virar a madrugada bebendo
na praça, na calçada ou nas casas alheias, tomar banho de cachoeira e – o que
eu mais sinto falta – estar em silêncio em meio aos meus amigos vendo o cinza do céu ao pôr do sol logo antes de ir para casa. Quando queríamos as coisas aconteciam,
era massa, e o que eu quero falar começa logo quando precisei tomar minhas
próprias decisões - sem a presença do coletivo – pois foi quando estive perdido.
Era muito tímido, tanto que não havia dado meu primeiro beijo até os 18 anos.
No meio dos meus eu esquecia dessa timidez – tudo bem que desse
grupo sempre fui tido como o diferente, o estranho e por não ter o que compartilhar
sobre quem fiquei, ia ficar ou quem estava ficando acabava pouco inteirado do
que se passava, mas foda-se, o importante era que sempre me incluíam – e quando
senti que poderia seguir à frente romanticamente me vi totalmente despreparado.
Que referência eu tinha? Puta merda, meus amigos não. Minha família? Também não,
divórcios e divórcios. Aí o que me restou foram filmes.
Cada referência de filmes do John Hughes, filmes com Adam Sandler,
500 dias com Ela dentre outros, foram decisivos para mim àquela época e então,
que bosta, hein? Kkkkk Cada homem por mais inábil que seja, por mais que lhe
falte inteligência interpessoal e emocional, enfim, por mais ridículo que essa criatura seja para ele haverá uma mulher caso
ele a trate com o básico de respeito, educação e atenção – tem até um ótimo
texto chamado “Os Incels e a romantização do homem tóxico nacultura pop” que vai esmiuçar super bem sobre isso, leiam. E fui assim,
medíocre e cheio de si, sem um mínimo de tato e outras coisas básica para
tentar uma aproximação e quem sabe um namoro! Onrran diancho.
Meu primeiro namoro durou 2 ou 3 dias quando eu tinha 16 anos, teve nem beijo kkkk. O segundo namoro durou uma semana. Nós nos conhecemos pelo Orkut – não lembro em quais circunstâncias – e logo no primeiro dia quando nos encontramos a pedi em namoro! Eu com 19 e ela com 25 anos – eu acho. Em uma semana nem tem muito para contar, portanto, vou focar no término. Ela terminou por SMS e bloqueou minhas chamadas. Não estava preparado para isso, não tinha essa parte nos filmes, não sabia o que fazer e quais atitudes tomar – nesse período, já estava afastado e não tomava mais decisões em coletivo, também não era algo a se lidar em conjunto, não é? - e dessa falta de preparo começou algo que eu levaria por muitos anos: a vontade de não me reconhecer ao me olhar no espelho.
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| Arte de Helô D’Ângelo https://instagram.com/helodangeloarte?utm_source=ig_profile_share&igshid=7k3aia0aip75 |
Tudo ainda era tão intenso em mim e ela, a frustração me limitava, ela
me impunha a uma tristeza incapacitante. Estava triste, apático e sem saber
muito o que fazer. E o que fiz? Descolori os cabelos. Isso aconteceu numa
oportunidade quando estava na praia com minha família logo após ficar solteiro.
Peguei água oxigenada e derramei sobre a cabeça. Uns minutos no sol e voilá! Estava
outro. Ir ao espelho e me enxergar diferente teve uma sensação indescritível
para mim. Em casa retoquei melhor os cabelos até que cheguei num loiro uniforme
e para mim esse é o símbolo dessa minha época. Logo quando começava a sentir
algo ruim já corria para mudar a barba, colocar um piercing ou qualquer outra
coisa que modificasse a casca e rezando para que o miolo também mudasse. Com 20
anos, eu ainda dizia com bastante orgulho depois de tanto mudar “sei tão bem
quem sou que posso ser quem eu quiser e onde quiser!”...
Mentira.
Eu queria mudanças reais, mas as queria para logo. O
imediatismo me conduzia e me consumia.
Falei isso tudo para lhes dizer que não tem mais dessas
mudanças em mim sem que seja por puro desejo estético – e na real, eu pouco
mudo. Por mais que em 2020 ao completar 30 anos eu mostre o mesmo corpo e os
mesmos músculos, já aconteceram muitas mudanças, grandes mudanças, micromudanças,
todas de dentro para fora e sou consciente delas. Dia desses até tweetei, lembrando de todo esse contexto, sobre como é bom ser quem se é.
Houve um caminho para isso, afinal são 10 anooos! Caralho, eu me assusto com o
tempo.
Esse blog será usado como um diário para relatar esses caminhos, minhas
histórias, meus exercícios, alimentação, peso, minha vida e como eu fiz e faço para tentar chegar nos
30 melhor do que cheguei nos 20.


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